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“Governo deveriam melhorar abrigos” Dizem Haitianos refugiados no Brasil

“Governo deveriam melhorar abrigos” Dizem Haitianos refugiados no Brasil

DA REDAÇÃO

4 de Agosto de 2015 às 15:29

“Governo deveriam melhorar abrigos” Dizem Haitianos refugiados no Brasil

FOTO: (Divulgação)

Enquanto Europa luta para conter avanço migratório, Brasil que atravessa crise sem precedentes, vai ampliar quantidade de vistos.

Atualmente no Brasil, segundo dados do Itamaraty, já estão vivendo cerca de 70 mil haitianos que passaram a migrar desde o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. O país fica na América central, próximo ao Panamá, e é por ali que eles começam a migração, seguindo a Quito (Equador) e passam pelo Peru e acampam na cidade de Iñapari, fronteiriça com o Acre. Ficam em Rio Branco cerca de 16 a 20 dias em abrigos do governo e seguem para outros estados. Alguns ficam em Rondônia (números oficiais falam atualmente em cerca de 2 mil) e a grande maioria segue para cidades maiores.

O Acre, principal porta de entrada dos haitianos, vem tendo dificuldades em manter a quantidade de imigrantes. De acordo com o senador Jorge Viana (PT-AC) já entraram por lá cerca de 40 mil pessoas e o governo rapidamente dá um jeito de manda-los para outros estados. A questão chegou a causar mal estar com os governos de São Paulo e Rio Grande do Sul, para onde o Acre enviou vários ônibus fretados cheio de imigrantes. Ao chegarem nesses estados, não havia estrutura para recebe-los. Por causa disso, em audiência no Senado na última segunda-feira, José Maria de Almeida, coordenador-geral do CSP-Conlutas,  sugeriu que o dinheiro gasto pelo governo brasileiro para manter militares no Haiti seja empregado, por exemplo, na melhoria dos abrigos. — Um país das dimensões do Brasil não pode assegurar um abrigo minimamente decente em São Paulo? Não temos dinheiro para isso nesse país? — indagou.

O Brasil mantém cerca de 9 mil militares no Haiti desde o terremoto que ajudam na reconstrução do país. Até 2014 já haviam sido gastos cerca de R$ 3 bilhões em ajuda humanitária do Brasil. O Haiti tem cerca de 10 milhões habitantes e aproximadamente 140 mil já migraram apenas para o Brasil. Muitos estão espalhados por outros países.

Mesmo assim, os haitianos agora se queixam das condições que encontram no Brasil. Embora reconheçam o acolhimento humanitário do Brasil a seus conterrâneos, os haitianos Alix Georges e Fedo Bacourt reivindicaram, na audiência do Senado, melhores condições nos abrigos, mais atenção dos governos estaduais e das prefeituras, além de denunciarem o desrespeito de muitas empresas à legislação trabalhista.

Eles reclamaram também de violações de direitos humanos da força militar internacional presente no Haiti e defenderam a retirada dos militares do país.

— Não precisamos de 9 mil estrangeiros. O Haiti não é um país violento e não tem guerra civil que mereça a presença de militares — reclamou Alix Georges.

Já o senador Jorge Viana preferiu criticar a imprensa ao afirmar que  “apesar de todas as dificuldades, o governo do Acre tem feito um ‘trabalho extraordinário’ com os haitianos que chegam ao estado, oferecendo alojamento, atendimento médico, comida e assistência social”. Apesar disso, segundo ele, o feito não é reconhecido pela imprensa.

— Acho um desrespeito, pois a imprensa noticia apenas como se o Acre estivesse importando imigrantes e os distribuindo para Sul e Sudeste para incomodar prefeitos e governadores. Na verdade, o trabalho humanitário feito pelo governo é extraordinário — afirmou.

Problema social

Com o agravamento da crise econômica e redução nos postos de trabalho, começa a surgir um problema na recepção dos imigrantes, já que a maioria deles tem entre 20 e 35 anos e o grau de escolaridade varia de analfabeto a universitário. Como eles se encaixam no perfil médio do trabalhador brasileiro, passam a disputar os mesmos postos de trabalho e as vagas estão reduzindo. O padre, Paolo Parise, responsável pela paróquia Nossa Senhora da Paz, na Liberdade, em São Paulo, que mantém um abrigo, disse que os empregos estão cada vez mais difíceis, “Até três anos atrás conseguíamos dar emprego a mais ou menos 61% dos haitianos. Agora não chega a 5%. Aconteceu uma grande diminuição. As vagas atualmente são em frigoríficos em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, e também na área de limpeza. Eles trabalham de babá, cuidador de idosos”, disse o padre.

A maior parte dos haitianos viajam em busca de emprego. Eles deixam a família em um país que foi destruído pelo terremoto em 2010. Naquele ano, a paróquia recebeu 28 imigrantes do Haiti. Em 2014, foram 4.680 deles.

Já aconteceu de 100 pessoas procurando vaga e só quatro ou cinco conseguirem emprego”, diz Jean Marc, um imigrante haitiano que vive na paróquia. Outro imigrante, Jean Michel também vive no local há dois meses. Ele não fala português, mas acredita que pode encontrar um emprego na agricultura ou na construção civil.

Europa aperta o cerco contra imigrantes e Brasil abre a porteira

O Brasil iniciou um processo para acelerar a emissão de vistos na Embaixada brasileira em Porto Príncipe. Segundo o embaixador Carlos Alberto Simas Magalhães, subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, a emissão de visto permanente de caráter humanitário em Porto Príncipe saltou de 600 para 1.800 por mês desde o início de junho.

— É preciso que a população se convença de que a rota legal é a melhor alternativa. Desde 8 de junho, são 470 vistos por semana.  É preferível esperar um ou dois meses e conseguir visto no consulado brasileiro do que cair nas mãos de coiotes — alertou o embaixador.

Enquanto isso, a Inglaterra adota medidas duras contra o fluxo migratório. Os proprietários de imóveis que alugarem a casa para imigrantes clandestinos podem ser condenados a até cinco anos de prisão, segundo uma nova proposta do governo britânico anunciada na segunda (3).

A medida, que exige que os proprietários verifiquem a situação legal de seus inquilinos, está prevista em novo projeto de lei sobre a imigração que o governo britânico deve apresentar nos próximos meses no Parlamento, anunciou o secretário de Estado para as Comunidades e Assuntos Legais, Greg Clark. Até o momento, o projeto de lei previa apenas multas para os proprietários. As medidas são para tentar conter a onda migratória que vem atingindo os principais países europeus.

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