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PMs presos por execução no Rio depõem e alegam legítima defesa

abo e sargento afirmaram na Delegacia de Homicídios que os tiros contra dois homens caídos foram para evitar um possível ataque; cena foi filmada

VEJA

31 de Março de 2017 às 20:24

PMs presos por execução no Rio depõem e alegam legítima defesa

FOTO: (Divulgação)

 Os dois policiais militares que foram filmados executando dois suspeitos na Favela da Pedreira, em Costa Barros, no Rio de Janeiro, na tarde de quinta-feira, declararam, em depoimento à Delegacia de Homicídios (DH), que agiram em legítima defesa. O cabo Fábio de Barros Dias e o sargento David Gomes Centeno descreveram toda a operação e alegaram que os disparos contra os homens já caídos foram feitos para evitar um possível ataque. A versão não convenceu os investigadores e delegados, que autuaram os dois em flagrante por homicídio.

 Em suas declarações, os dois contam uma história parecida. Por ordem do tenente-coronel Marcos Lima, comandante do 41º BPM (Irajá), foram até a favela para combater o tráfico e roubos de cargas e de veículos. Além deles, apenas outros três policiais estavam no veículo blindado que saiu do batalhão. Na Avenida Martin Luther King, próximo à região conhecida como Bairrinho, Dias e Centeno deixaram o carro e foram a pé. Houve intenso confronto e, próximo à escola, viram dois homens caídos. Foi quando se aproximaram para recolher as armas – um fuzil AK-47 e duas pistolas – que estariam com os suspeitos.

 Diz o cabo Fabio Dias que, neste momento – que foi filmado por um morador da janela do Conjunto Habitacional Fazenda Botafogo, “verbalizou a seguinte frase: ´Perdeu!’; se aproximou pelo lado do indivíduo caído ao solo, ocasião em que o mesmo realizou um movimento brusco e o declarante pôde ver a presença de uma arma de fogo do tipo pistola; que, diante de tal percepção, verbalizou a seguinte frase: ‘Arma!’, a fim de alertar seu companheiro de farda, sargento Centeno, acerca de iminente ameaça; que, ato contínuo, o declarante efetuou um único disparo com seu fuzil; que o disparo neutralizou a ação do indivíduo mencionado”.

 No vídeo, de fato, o homem caído, Júlio César Ferreira de Jesus, 33 anos e nenhuma anotação em sua ficha criminal, aparece ao lado do fuzil, que é retirado pelo cabo Dias. O suspeito levanta a cabeça e recebe um tiro. Depois, é possível ouvir um segundo disparo, mas a imagem não deixa claro se foi disparado contra Júlio César. Neste instante,  Centeno passa e segue adiante, se aproximando do segundo homem caído ao solo. Alexandre dos Santos Albuquerque, de 38 anos, não esboça qualquer movimento, mas leva um tiro de fuzil. Contra ele havia cinco mandados de prisão”.

Centeno declarou na delegacia: “Que cabo Dias retirou o fuzil que estava próximo à mão de Júlio César que esboçou uma reação de confronto, já que estava com uma pistola; que no momento seguinte o cabo Fabio Dias efetuou um disparo contra o agressor; que o declarante se dirigiu ao segundo homem com mais cautela; que verificou que o mesmo portava uma pistola; que o declarante se sentiu receoso que houvesse um ataque em seu desfavor; que para se proteger efetuou um disparo”. O sargento Centeno e o cabo Fábio respondem a 16 inquéritos por autos de resistência (morte em confronto).

 

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