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MOMENTO LÍTERO CULTURAL

POR SELMO VASCONCELLOS

8 de Novembro de 2019 às 10:57

MOMENTO LÍTERO CULTURAL

FOTO: (DIVULGACÃO)

1995 a 1996  - POESIAS

 

13.Janeiro.1995 – M.L.C. Nº 194.

EMIL DE CASTRO – Mangaratiba, RJ.

Estranha sinas das ruas:

nascem flores no seu leito

mas ninguém percebe.

 

03.Fevereiro.1995 – M.L.C. nº 198.

DJANIRA PIO – São Paulo, SP.

COMPARAÇÃO

 

O mundo girou

Girou

e continua a girar

sem saber onde chegar.

Eu andei

andei

e continuo a andar sem saber onde parar.

 

10.Fevereiro.1995 – M.L.C. nº 199.

ILMA FONTES – Aracaju, SE.

PLENILÚDIO

 

A lua é uma hóstia que se

dissolve em minha boca

quando engulo esta noite.

eu, vazio dela

Ela, cheia de mim.

 

17.Fevereiro.1995 – M.L.C. nº 200.

ROSANI ABOU ADAL – São Paulo, SP

ECOLOGISMO

 

Agora é marketing

defender a natureza virou moda.

Homens de negócios erguem

bandeiras ecológicas

que são machados

Nada fazem pelo desmatamento

apenas assumem títulos

para se projetarem nos veículos

de comunicação de massa.

 

1º.Abril.1995 – M.L.C. nº 207.

HUGO PONTES – Poços de Caldas, MG

CONTAS

 

Banqueiro

não rima

com poeta.

Aquele

conta dinheiro,

este canta,

é esteta.

 

26.Maio.1995 – M.L.C. nº 216.

DOUGLAS M. ZUNINO –  Blumenau, SC

Entende a dor

Meia palavra

CASTA

Meia palavra CASTRA

Meia palavra

AFASTA

Meia palavra

GASTA

Meia palavra

ARRASTA

Meia palavra

BASTA

 

7.Julho.1995 – M.L.C. nº 224.

CLOTILDE TAVARES – Natal, RN

PAPO DE BAR

 

Não me provoque

Sou doida

e quando bebo

fico num porre

Cai fora

Estou com sono

Se você insistir mais

eu me apaixono.

 

28.Julho.1995 – M.L.C. nº 226.

CLÁUDIO FELDMAN – Santo André, SP.

ROSA

A infância murchou:

Resta

O Espinho

 

GLENDA MAIER – Rio de Janeiro, RJ

INTEGRAÇÃO

Por um momento percebi

que pétalas de flores

no asfalto

são muitos parecidas

com estrelas

no infinito do Universo

 

20.Janeiro.1996 – M.L.C. nº 252.

URHACY FAUSTINO – Rio de Janeiro, RJ

Persistência

 

Na terra seca,

a fava.

Em mim, ideia-seca

arfava

Molhadas de lutas

rotavam.

 

17.Fevereiro.1996 – M.L.C. nº 256.

JAIME VIEIRA – Maringá, PR.

FRIGORÍFICO CULTURAL

 

embora meus sonhos

estejam na rua

a tua pseudo cultura

não me confina

nem me abate

 

RICARDO ALFAYA – Rio de Janeiro, RJ

A LUTA DO SÉCULO ( Combate de Tantãs)

 

A nonagenária

Cobra marinho

Morde o rabo

Da emergente

Cobra macedônica

-Cada século tem

Os titãs que merece.

 

31.Maio.1996 – M.L.C. nº 269.

FABIANO ANTÔNIO CALIXTO – Santo André, SP.

ANTUÉRPIA

 

Na Antuérpia

eu cheirei sal de fruta

e fiquei muito louco

era cocaína efervescente.

 

8.Junho.1996 – M.L.C. nº 270.

SILAS CORRÊA LEITE – São Paulo, SP.

ESTAÇÃO SAUDADE

 

Fui te esperar na estação

O trem não...

 

JOÃO SCORTECCI – São Paulo, SP.

Tatuagem

No peito-flor

É a cor do eu em mim.

 

14.Junho.1996 – M.L.C. nº 271.

DILERCY ADLER – São Luís, MA.

NOSTALGIA

 

Folhas soltas no chão...

chuva fina...

céu cinzento...

nostalgia...

pinta de leve

acre-doce

solidão!

 

5.Julho.1996 – M.L.C. nº 274.

ARLINDO NÓBREGA – São Paulo, SP

Eu percebi muito cedo,

Acredite quem quiser,

O que mais me mete medo

É a lágrima da mulher.

 

26.Julho.1996 – M.L.C. nº 277.

MANO MELO – Rio de Janeiro, RJ

Olho para dentro

O que encontro

É um riacho de luz

Reluzindo ao relento.

Sereias me seduzem

Nas praias de areia

Das selvas de cimento.

 

30.Agosto.1996 – M.L.C. nº 282.

IRINEU VOLPATO – São Bernardo do Campo, SP.

Trigal amarelourece

longistantes derramados

Sol soslaio

em impado céu azul

Que prece merece

mais que a messe

nesse ir apascentando por meus olhos?

 

YEDDA GASPAR BORGES – Rio de Janeiro, RJ.

ROSTO

 

Procurei em toda parte

O seu rosto de criança

A vida imita a arte

Não trouxe o da lembrança

 

6.Setembro.1996 – M.L.C. nº 283.

LEILA MÍCCOLIS – Rio de Janeiro, RJ

Queimadas

 

Outrora,

para fugir de Apolo e sua tora,

Dafne se fez de arvore.

Fosse agora,

dependendo da madeira,

só botaria mais lenha na fogueira.

 

13.Setembro.1996 – M.L.C. nº 284.

ROGÉRIO SALGADO – Belo Horizonte, MG.

o amor é sangria

sei de hemorragias

por isso constantemente

menstruo!

 

27.Setembro.1996 – M.L.C. nº 286.

JUREMA BARRETO DE SOUZA – Santo André, SP

Da Ternura

 

Subverter-me

No avesso de mim

A ternura

E de tanto existir

Encontrar um caminho

No meio das pedras.

 

18.Outubro.1996 – M.L.C. nº 289.

ANTÔNIO MARIANO DE LIMA – João Pessoa, PB.

COSMOLOGIA

 

ou o mundo não passa mesmo

de uma grande boca

que ao prometer o beijo

temos o dia

negando-o em seguida

temos a noite?

 

BEATRIZ HELENA RAMOS AMARAL – São Paulo, SP

Modo Ibérico de amar

deixando a própria terra

e se lançando ao mar.

 

DILSON LAGES MONTEIRO – Teresina, PI

Até...

 

Entre a terra e o véu

A noiva esqueceu a igreja

Um céu

Sem estrelas

O entardecer

E as sombras:

Fotografia de Província.

 

1º.Novembro.1996 – M.L.C. nº 291.

WILSON PEREIRA – Brasília, DF.

AMANHÃ

 

Quando o dia estiver abrindo a porta

varrendo o pó das últimas estrelas

eu talvez ainda esteja dormindo

como um menino que não foi à escola.

 

TÂNIA DINIZ – Belo Horizonte, MG

Sozinha pra dormir

Cama de faquir

 

15 e 16.Novembro.1996 – M.L.C. nº 293.

ADEMIR ANTÔNIO BACCA –  Bento Gonçalves, RS.

DA TRISTEZA MAIOR

 

bate

a mariposa deslumbrada

no vidro da janela

iludida pelo brilho

dos teus olhos tristes

 

SALOMÃO SOUSA – Brasília, DF.

amoleça a guarda ao palácio

seu guarda

que de tanto guardar

ficamos desprotegidos

 

27.Dezembro.1996 – M.L.C. nº 299.

MÁRCIO CATUNDA – GENOVA, SUIÇA.

MANTRA

 

Vem chegando o sol.

Vem trazendo luz para os angustiados,

saúde aos enfermos.

É a luz divina que salva os homens,

bendito seja Jesus,

quem nos dá vida e eternidade.

 

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