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Fidel Castro entrega governo cubano ao irmão

Fidel Castro entrega governo cubano ao irmão

DA REDAÇÃO

1 de Agosto de 2007 às 07:32

Fidel Castro entrega governo cubano ao irmão

FOTO: (Divulgação)

O presidente de Cuba, Fidel Castro, 79, foi submetido a uma cirurgia no intestino e deixou pela primeira vez o controle do governo cubano. Em comunicado lido nesta segunda-feira, Fidel delegou provisoriamente o governo a seu irmão Raúl Castro, 75. *No comunicado oficial, assinado pelo próprio Fidel, o presidente cubano afirma ter passado por uma "uma crise intestinal aguda com sangramento sustentado", que o obrigou a "uma complicada intervenção cirúrgica". *O presidente cubano, Fidel Castro, faz pausa durante discurso em Holguín, em Cuba *"A operação me obriga a permanecer várias semanas em repouso, afastado das minhas responsabilidades e cargos", afirma a nota oficial, lida pelo secretário particular de Fidel, Carlos Valenciaga, em emissoras de rádio e televisão de Cuba. *Fidel, que completará 80 anos no dia 13 de agosto, governa Cuba desde 1959. No comunicado, o líder cubano pede que as comemorações do seu aniversário sejam adiadas para 2 de dezembro. *O líder cubano atribui o problema de saúde à agenda sobrecarregada, que incluiu visitas à Argentina, onde participou da Cúpula do Mercosul, e a cidades da região leste de Cuba. "Dias e noites de trabalho contínuo, sem dormir, fizeram a minha saúde, que tem resistido a todos os testes, se submeter a um estresse extremo, e se quebrar", diz o líder de Cuba na nota oficial. *Por meio do mesmo comunicado, outros membros do PCC (Partido Comunista de Cuba), como Carlos Lage, Esteban Lazo, Josî Ramón Balaguer, Josî Ramón Machado Ventura, Francisco Soberón e Felipe Pîrez Roque receberam tarefas prioritárias --para alguns analistas, eles devem funcionar como uma equipe de sucessão. *Em outubro de 2004, o líder cubano sofreu uma queda durante um ato público na localidade cubana de Santa Clara e fraturou um joelho e um braço. *Raul *Raúl Castro passou quase 48 dos seus 75 anos de vida como o número dois do governo cubano, apesar de lhe faltar o carisma e a habilidade política de Fidel. *Ministro das Forças Armadas Revolucionárias, segundo secretario do Partido Comunista, primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, Raúl tornou-se o substituto designado por seu irmão mais velho, por quem sempre demonstrou admiração e afeto. *Estudante de Economia, Raúl participou com o irmão ao assalto ao Quartel de Moncada, em 1953 --uma tentativa frustrada de derrubar o ditador Fulgencio Batista. Foi um dos primeiros rebeldes da Sierra Maestra e, logo que a revolução cubana deslanchou, em janeiro de 1959, foi nomeado segundo chefe do movimento. *Para alguns analistas, Raúl não tem a habilidade política, a saúde ou mesmo a ambição para suceder integralmente seu irmão. Segundo esta visão, Raúl atuaria como uma figura de transição em direção a uma nova liderança, mais jovem e possivelmente mais aberta. *Repercussão nos EUA *Nos EUA, o porta-voz da Casa Branca, Peter Watking, disse que o governo americano está "monitorando" a situação em Cuba. "Não queremos especular sobre sua saúde. Continuaremos trabalhando para que um dia Cuba seja livre", disse o porta-voz . *Já o congressista republicano Lincoln Díaz-Balart afirmou que a passagem provisória do poder de Fidel Castro a seu irmão significa que "o fim da tirania se aproxima". *"Um sistema totalitário é capaz de qualquer mentira, mas sabemos com segurança que o fim da tirania se aproxima", afirmou o congressista republicano, eleito pela Flórida. *Em Miami, dezenas de pessoas da comunidade cubana reagiram com alegria. reunindo-se para "comemorar" a notícia, tocando buzinas e gritando "Viva Cuba" e "Liberdade". *Muitos cubanos dissidentes, contudo, reagiram com surpresa e ceticismo. "Existem grandes expectativas dentro e fora da ilha e por enquanto é preciso esperar o alcance da doença", afirmou Ramón Saúl Sánchez, presidente do Movimento Democracia. "A presença de Raúl Castro no poder é algo preocupante, porque de certa forma pode provocar reações muito duras", acrescentou Sául Sánchez. *O professor Jaime Suchlicki, do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, disse que a sucessão já começou. Para ele, "é uma sucessão de fato" o que aconteceu em Cuba. *"Raúl Castro está administrando o país", disse Suchlicki, um dos mais respeitados especialistas americanos em assuntos cubanos. Para ele, Fidel Castro está em sua etapa final; seu irmão manterá o poder e "ficará no cargo por algum tempo", acrescentou. *Suchlicki comentou que o momento é "definitivamente" difícil para a oposição dentro da ilha. "Os aparelhos de segurança do estado se encontram em estado de alerta e é um momento muito difícil para a oposição". *Bolívia *O presidente da Bolívia, o socialista Evo Morales, enviou nesta terça-feira uma carta a Fidel Castro desejando a "pronta recuperação" de Fidel após a operação a que foi submetido. *Morales, em nome do governo e do povo bolivianos, manda ao líder cubano "toda a solidariedade" e seu desejo de uma "pronta recuperação". *"Temos certeza de que, com a fortaleza que demonstrou ao longo de sua exemplar trajetória, superará este novo problema para continuar na trincheira da luta antiimperialista", afirma o documento. *Morales, que se recupera de uma fratura no nariz que sofreu no domingo, durante um jogo de futebol, tinha convidado Castro para assistir à instalação da Assembléia Constituinte boliviana, no próximo domingo. *O último encontro entre os dois líderes foi em Córdoba, Argentina, durante a Cúpula do Mercosul, dia 21 de julho --um dos encontros que teria debilitado a saúde de Fidel, segundo o documento oficial do líder cubano.

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